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quinta-feira, 20 de abril de 2017

3 Razões para Você Ler Mais, Mesmo Sendo de Exatas

Era uma típica aula prática de Programação: os alunos, sentados nos seus computadores, tinham uma lista de problemas para resolver enquanto eu circulava pela sala, ajudando-os com as dúvidas que iam surgindo.

Eis que um dos alunos, um bom aluno, me chama e pergunta: professora, não entendi a questão 17, pode me explicar?

Brinquei com ele que eu não tinha memória de elefante, e não sabia de cabeça qual era a questão 17 da lista. Fui até ele, peguei a apostila e comecei a ler em voz alta o enunciado que tinha umas cinco linhas de texto. Quando eu terminei a leitura, o aluno fez cara de quem foi atingido por um raio de luz e declarou: “Ah, agora entendi!” E começou a escrever o programa para resolver o problema.

– “Como assim, entendeu? Eu só li o problema, nem comecei a explicar…”

Uma fração de segundo depois, quem foi atingida por um raio fui eu: tinha me dado conta de que o que ele não tinha entendido era o texto, e não o problema em si! Uma vez que eu fiz a leitura em voz alta, ele entendeu claramente o que dizia ali e o que era para fazer. Ou seja, o rapaz – um estudante universitário fazendo um curso concorrido de uma instituição pública de ensino superior – tinha um sério problema de leitura.

Este é um exemplo extremo, mas o problema não é tão incomum. E não é que os meus alunos fossem particularmente problemáticos. A pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, encomendada ao IBOPE pela Instituto Pró-livro, indica que o brasileiro lê menos de dois livros a cada três meses. E este número inclui livros apenas parcialmente lidos E livros didáticos.

Ora, a gente sabe que a “galera de humanas” naturalmente puxa essa média para cima… Daí dá para imaginar que o estado das coisas entre a turma de exatas é ainda mais dramático.

Além do aluno da história acima, não foram raros os casos de alunos fazendo careta toda vez que se deparavam com aqueles problemas “com história”. Qualquer coisa que não fosse no formato “resolva a equação abaixo” era visto com medo e até um certo ressentimento.

Entretanto, a leitura correta dos enunciados de questões de prova é o menor dos problemas de um futuro Engenheiro. Por isso, vou contar três motivos para você ler mais e aprimorar esta habilidade fundamental, mesmo você sendo de Exatas até a raiz dos cabelos… Claro que existe muito mais razões para ler que estas, mas será que você já tinha pensado nestas três?

Razão #1: Você gosta de ler

Dizer que não gosta de ler é como dizer que não gosta de garfo e faca. Simplesmente não faz sentido algum!

Ler é meramente uma ferramenta para você atingir um fim. Você pode gostar de carne assada e não gostar de abóbora, mas o garfo e a faca não tem absolutamente nada a ver com isso.

Do mesmo jeito, você pode até não gostar de ler romances do século XIX, mas com certeza tem algum assunto no qual você tem um interesse mais intenso.

Suponha que o seu interesse mais imediato é encontrar uma namorada ou namorado. Nada a ver com leitura, certo? No entanto, se o seu melhor amigo disser para você que tem um livro que ensina uma receita infalível para conquistar qualquer pessoa que você queira, você vai ler o livro ou não?

Ok, talvez este exemplo tenha sido meio apelativo…

Então você quer mais uma prova de que você gosta de ler? Bem, você chegou até aqui neste texto. Provavelmente o texto chamou a sua atenção o suficiente para que você nem pensasse no “esforço” necessário para ler as mais de 650 palavras do artigo até o momento…

Tem um detalhe nisto tudo que pode explicar o seu pouco apetite para os livros: uma faca cega pode arruinar o seu almoço, principalmente se você estiver com fome. Neste caso, a faca deixa de ser coadjuvante da refeição e vira o centro das atenções, de uma forma nada positiva para ela (a faca). De repente, você passa a verdadeiramente odiar todas as facas.

O mesmo acontece se a sua leitura for lenta demais. Ler muito devagar é como comer com uma faca cega: incrivelmente irritante e frustrante.

A solução é aprender a ler mais rápido. E ao contrário do que você pode estar imaginando, ler mais rápido (na verdade, muito mais rápido) não só é perfeitamente possível como pode ajudar você entender bem melhor aquilo que lê. Confira por você mesmo.

Razão #2: Você não quer um cérebro atrofiado

Tenho certeza de que todo mundo na sua família acha você inteligente, provavelmente mais inteligente que a maioria dos mortais, pelo simples fato de você ser de Exatas. É justo: qualquer pessoa que enfrente toda aquela matemática por vontade própria merece um crédito extra!

Agora, cá entre nós, o cérebro humano precisa de variedade. A neurociência comprova que as atividades que mais ajudam o cérebro a se manter afiado são aquelas que envolvem novos aprendizados. Quanto mais diferente daquilo que você está acostumado, melhor.

Ou seja, se você ficar só na sua zona de conforto, mesmo que seu conforto esteja em fazer cálculos complicados para a maioria das outras pessoas, você está deixando o seu cérebro atrofiar em algum aspecto.

Assustador?

Tudo bem. Você pode começar a mudar isso agora, e aprender a ler de um jeito novo (e muito mais veloz)?

Gente e diversão: dois motivos em um

Você pode adorar aquelas equações, mas na vida real quase ninguém está realmente interessado nisto. Se esse fato é chocante ou irritante para você, talvez você esteja precisando desenvolver sua capacidade para a empatia.

A empatia é a habilidade de se colocar no lugar de outra pessoa e entender o ponto de vista dela, mesmo que ele seja diferente do seu.

Uma excelente maneira de aprender sobre as diferentes formas de se enxergar a vida é através da leitura. Ler sobre pessoas diferentes de você, vivendo em outras épocas, participando de diferentes grupos sociais e passando por experiências que talvez você nunca tenha a chance de passar, dá a você uma dimensão muito mais rica do ser humano.

Só esteja ciente de que você pode acabar com uma enorme vontade de interagir com pessoas diferentes e viver algumas experiências mais variadas, mesmo incluindo pessoas que não são de Exatas!

Neste caso, um pouco de cultura geral pode ajudar a manter as conversas interessantes. E onde mais você vai conseguir uma cultura geral, se não for nos livros? (saber todos os nomes dos participantes do último BBB não vale, ok?)

Você não precisa ler tratados de Filosofia para ter uma cultura geral acima da média. Pelo contrário, você pode aprender se divertindo. Por exemplo, dá para descobrir um bocado sobre a história da França de Napoleão lendo a biografia de Josefina. E de bônus você ainda vai rir um bocado com a peripécias sexuais da alta classe francesa da época.

Ana Lopes
Doutora em Ciência da Computação pela UFMG e ex-professora universitária, a autora do blog Mais Aprendizagem tem como missão ensinar e divulgar métodos de aprendizagem que trabalhem em cooperação com o funcionamento do cérebro, e prepare cada ser humano para brilhar em plenitude no século XXI.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Neil Gaiman - "Faça Boa Arte!"


Em 2012, Neil “Sandman” Gaiman fez um belo discurso para os formandos da Universidade de Artes da Filadélfia, que logo foi postado na internet e se espalhou, inspirando muitos jovens artistas.

Os conceitos de arte, sonhos, bravura e a luta que os artistas devem travar, segundo Gaiman, devem sempre ser inspirados pelo objetivo de fazer “boa arte”.

Assista ao discurso de Gaiman legendado.